Pular para o conteúdo principal

Visite a Vila da Glória de bicicleta



Joinville é banhada pelas águas salgadas de um imenso estuário marinho, que forma a Baía da Babitonga. Um dos passeios de bicicleta que eu mais gosto de fazer, e que recomendo para todos, passa justamente pela Baía da Babitonga até a Vila da Glória com destino a São Francisco do Sul.
É uma pedalada que considero suave e muito gostosa. Suave porque o trajeto é praticamente plano, com poucas subidas. Gostosa porque as belezas naturais do trajeto e as possibilidades gastronômicas deste caminho são variadas e muito saborosas.
O percurso completo totaliza 86 km. Mas, se você não está acostumado com pedais longos, pode encurtar para cerca de 60 km, fazendo meia volta na charmosa e pequena Vila da Glória, um distrito de São Francisco do Sul. Não esqueça de levar cantil com água, celular para registrar belas imagens, dinheiro para pagar a travessia de balsa (eles não aceitam cartão), capacete, protetor solar, lanchinho, bomba de ar e uma câmara reserva para eventualidades.


O Trajeto


Do centro de Joinville (próximo ao Centreventos Cau Hansen) até a praia da Vigorelli, no bairro Cubatão, você percorre um trajeto urbano de 23 km (90% dele é asfaltado, os 10% que restam é de ruas com paralelepípedos, lajotas e chão batido - próximo a Vigorelli).
De bicicleta isto representa pouco mais de 1 hora de pedal, dependendo da sua velocidade.
Muitos fazem este caminho pela avenida Santos Dumont. Eu recomendo economizar energia e ir pela rua Dorothovio do Nascimento, que cruza o Jardim Sofia. Esta rua sai atrás do aeroporto de Joinville e se conecta direto com a Estrada da Vigorelli.
Pelo Jardim Sofia, o trecho é de paralelepípedo até a rua Tuiuti. Depois segue no asfalto. Optando por esta via você fica livre dos três morros íngremes da avenida Santos Dumont e chega descansado e mais rápido até a balsa da Vigorelli.
Em junho de 2017, ciclistas pagam R$ 2,30 para atravessar o canal da baía com a balsa. O passeio pelas águas calmas da Baía é rápido. Em menos de 20 minutos você desembarca na estrada asfaltada que dá acesso a Vila da Glória.
O trecho total até o Centro da Vila tem pouco mais de 10 km. A subida mais pesada é justamente a primeira, logo que você sai da balsa. Depois eles ficam menores e fáceis de superar. O legal é que o caminho está bem cuidado e sinalizado e com acostamento destinado aos ciclistas. Todo o trajeto corta pelo meio da mata atlântica preservada.
Em menos de 25 minutos você já está na área urbana da pequena Vila da Glória, que tem como atrações turísticas uma capela centenária (Nossa Senhora da Glória), próximo a um trapiche de 330 metros que avança mar adentro, além de cachoeiras e várias praias com águas calmas, semi desertas e praticamente sem ondas.


Muita história e frutos do Mar


A Vila da Glória fica no Distrito do Saí, pertencente a cidade de São Francisco do Sul. A Vila da Glória tem uma história rica e centenária. Ela começou a ser explorada por imigrantes franceses no século 19. Na época, a ideia era construir uma comunidade alternativa onde todos trabalhavam juntos para plantar, colher, pescar e garantir o próprio sustento. O modelo de organização foi chamado de Falanstério do Saí e é o único do tipo que se tem história fora da Europa. Contudo, este projeto não deu certo e as pessoas que ficaram acabaram ajudando a colonizar a Vila da Glória.
Atualmente, a população local não passa dos 3 mil moradores. Boa parte é formada por moradores aposentados, comerciantes, pescadores e donos de várias pousadas que ali oferecem descanso e lazer para turistas.
O lugar é perfeito para quem curte tranquilidade, a natureza e busca o alívio do stress.
A parada para o almoço é obrigatória nas diversas lanchonetes e restaurantes. Boa parte deles ficam à beira mar. Os preços são bem acessíveis nos meses fora da temporada de Verão. E são muito bem servidos.


Várias opções de passeio


Na Vila da Glória tens várias opções de passeio: curtir as praias calmas de areias brancas, fazer trilhas a pé pelas cachoeiras, passear a pé pelo centrinho, apreciar a orla e fazer muitas fotos ou seguir até o município de Itapoá que fica cerca de 25 km de distância.
Você também pode pegar outra balsa e seguir até São Francisco do Sul. Para isso, vai pagar mais R$ 4,50 para embarcar na balsa e cruzar outro trecho da Baía da Babitonga por cerca de 45 minutos até o bairro das Laranjeiras. Depois, serão mais 8 km de asfalto até o centro histórico de São Francisco do Sul.

Este passeio de balsa é inesquecível. Com sorte, vai apreciar dezenas de botos cinza (uma espécie de golfinho, comum nesta região) nadando próximo da balsa atrás de cardumes de peixes. Em dias ensolarados o visual é deslumbrante, principalmente porque a balsa passa bem próximo de duas das 14 ilhas do arquipélago da Baía da Babitonga. É um passeio que, com certeza, você vai repetir muitas vezes.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cicloviagem até Barra Velha

Vou compartilhar com vocês uma cicloviagem simples e deliciosa que gosto de fazer pelo nosso litoral norte catarinense. Não é preciso viajar dias pra fazer isso. Muito menos gastar muito dinheiro. Basta um pouco de vontade, resistência, preparo físico e muito bom humor. O destino é nossa vizinha Barra Velha. De carro você chega lá em meia hora ou 40 minutos, saindo do centro de Joinville. De bicicleta são pouco mais de duas horas. É isso mesmo. Se você sair do centro de Joinville antes das 8 da manhã, pouco depois das 10 horas você já estará curtindo as areias brancas da praia central de Barra Velha. Este trajeto pode ser feito utilizando o acostamento da BR 101. E não precisa ter medo, basta atenção. É claro que este passeio exige que sua bicicleta tenha um pisca traseiro e uma lanterna dianteira sempre acesos durante todo o tempo. Nunca se esqueça que bicicleta também é um veículo. Capacete, óculos, luvas, roupas claras e uma garrafinha de água são imprescindíveis. Na bolsinha d...

100 km com o novo pneu

No final de semana passado pedalei 100 km com minha Caloi 500. Foi um trajeto suave e bem bacana, entre as cidades de Joinville e São Francisco do Sul. Fui até a praia do Ervino. Aproveitei para estrear um asfalto novinho, numa estrada recém concluída. Foi sensacional. A bike respondeu bem nas retas e curvas. Pedalei com duas pessoas que não estão acostumadas a longas jornadas e por isso não acelerei demais. Mesmo assim, a média foi de 18 km/h e alguns trechos ultrapassamos os 27 km/h. Na volta um dos colegas teve um problema com o pedal esquerdo, que se soltou. Ficou a lição: sempre levar algumas ferramentas básicas para eventualidades. Por sorte (que todo ciclista tem), encontramos uma boa alma que nos ajudou. Pedal recolocado e pedalada retomada com 30 minutos de atraso. Diferença bem grande Notei que a troca do pneu foi realmente acertada. Eu já havia realizado este trecho com o pneus cravados de 2 polegadas. Foi um sofrimento na volta. A ida pela SC 280 é basicamente compos...